terça-feira, 21 de outubro de 2008

do renascer divino


Pergunto-me, no espanto que o acaso me provoca,
Que porção de paciência determina o sabor da espera.
A quem pertencerá o dom de dizer: É hoje!?
O que perdemos, pelo caminho, na ânsia de encontrar o fim?
De que nos priva a falta de fé?
O que nos revela a convicção de um renascer?

Temo que a solidão, vivida na plenitude de uma vida cheia de nada, me retire a capacidade de usufruir dos presentes divinos. E que a necessidade de controle me retire o prazer de ser surpreendida.

Vive, no meu hall de entrada, uma planta em coma!
Nos últimos seis meses, deteve-me a secreta esperança de que fizesse parte do seu próprio processo.
Há quatro dias atrás desisti e pensei: "está na hora de deitar fora. Morreu…".
Felizmente, não tive tempo…

E, especialmente hoje, sinto que o renascer não me pertence.
Desejo poder enxergar para além do visível, o suficiente para me permitir acreditar e esperar…

E como desconheço os limites, as razões e os sentires,
confio na sabedoria da existência,
e asseguro a minha parte.
Permanecerei aqui, caso haja um renascer…

domingo, 5 de outubro de 2008

deus no feminino


Há dias em que o toque feminino de deus está mais presente…
Surge de forma suave,
usa o sorriso como forma de abraço,
tem um tom azulado na voz
e um olhar que serena a alma.
Diz-nos, no silêncio,
que conhece o sabor do sentir no feminino.
E sem saber porquê, isso tranquiliza-me.
Em essência é cristalino, doce, acolhedor, colorido e musicado…
E a grande aventura será, de mãos dadas, percorrer as infindáveis linhas mágicas que nos ligam a um sentir tão único.
Com todos os atropelos e recuos, mas, acima de tudo, com o sentir no olhar.
A ti, Isa…
Pela melodia do teu sentir…

domingo, 31 de agosto de 2008

A vassoura de piaçá de deus

Enigma por Violeta

Quando, da minha varanda, aprecio a vida que acontece na rua tenho a sensação de ver, entre os apressados seres humanos que se cruzam sem se verem, um velhinho, com ar cansado, de vassoura de piaçá na mão.
Varre um pouco,
pára,
olha à sua volta,
espirra,
sorri,
varre um pouco,
acena com a cabeça que sim,
ajoelha-se,
varre um pouco,
troca olhares,
salva uma borboleta,
varre um pouco,
seca uma lágrima,
varre um pouco,
coloca um penso rápido,
limpa o banco,
varre um pouco,
olha à sua volta,
sorri
e varre um pouco,
rega as flores,
limpa o jardim
e varre mais um pouco…
Cada movimento encerra em si a o desconforto dos sentires, entre a ternura de quem aceita e respeita, incondicionalmente, a vida como ela se apresenta, e a tristeza de quem se sabe invisível.
Vê o planeta como uma grande sala de estar. Tão grande, que nem a sentimos como nossa.
E ele é, assumidamente, um grande anfitrião. Imperceptível, mas anfitrião.
Limpa, do espaço, todo o lixo que vamos deixando: papéis, pontas de cigarro, pensamentos, raivas, discussões, gritos, buzinas...
E com um sopro, que transporta a luz da transformação, vai reciclando tudo o que incomoda a estética da grande sala de estar.
Não tem tempo para interregnos...respira para se sentir, já que a indiferença o faz duvidar da própria existência.
Imagino que quando o ar se torna irrespirável lá fora, e passear na rua é, inexplicavelmente, angustiante, ele esteja ausente…
Existe um velhinho na nossa sala de estar...
Presente sem se fazer notar.
Cuidador sem interferir.
Acolhedor sem se manifestar.
Paciente sem condenar.
Numa presença tão preenchida quanto vazia. Recheada de divindade...
E a sua grande riqueza é uma vassoura de piaçá e um enorme coração!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

dezanove|seis


cem palavras...para descrever o indescritível!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

E deus sorriu


Hoje fui despertada assim…
E o espanto com que me apercebo da singularidade de cada despertar do dia, faz-me desejar permanecer imóvel, contemplando as manifestações de deus, ao segundo.
Pergunto-me a que velocidade corre o tempo sentido por deus...
E porque sinto estar sempre atrás...
Que utilidade tem o meo se não integra o tempo sentido por deus, para que eu possa, numa pausa, não desperdiçar os diálogos íntimos com a natureza?
Conecto-me com essa força que me invade e me faz ansiar ser una com a natureza.
Sussurro um pedido infantil, na esperança de um colo divino que me embale ao som de histórias dos homens, que só deus conhece.
AH! Como é divino o sentido de humor de deus!
E demoro-me ali, profundamente grata por ter pertencido, por segundos, ao amanhecer.
E deus sorriu…

terça-feira, 15 de julho de 2008

o sentir pelo girassol


não posso sossegar sem assinalar o girassol!
pelo amor…
pela semente…
pelo brilho…
pela persistência…
pela lealdade…
pela ausência de porquês e motivos...
pela paciência…
pelo amor…
acima de tudo pelo amor…
E sussurrou-me, ao de leve, para assinalar a data,
que o amor é, em tudo, como o girassol…
Sim, o amor também é amarelo!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Talvez assim...


ssshhhhh
ssshhhhh
ssshhhhh
ssshhhhh
ssshhhhh
zzzzzzzzz
lalalalalala
lalalalalala
mmmmmm
mmmmmm
mmmmmm
talvez assim…

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Saudade de deus-criança


deus-criança é brincalhão…
Sorri porque as borboletas se atropelam;
Brinca com as formigas vagarosamente;
Cria histórias de vida quando a vida não lhe dá histórias;
Vive do ar que respira e do sol que ilumina;
E regressa ao aconchego da cama, ao ritmo da natureza, quando o sol se vai deitar.
Sinto saudades de deus-criança!
Simples no sentir e meigo no abraço.
Existe porque sim, sem pontos de interrogação,
não questiona o sentido das coisas, apenas as coisas sem sentido.
Passa horas a olhar os pés,
como tentativa de entender o mistério que os envolve.
Tudo tem fascínio próprio!
E a descoberta das bolhas nos dedos das mãos
representa a capacidade de transformação do próprio corpo.
Sabe que o toque deixará de ser uma descoberta intranquila
e passará, aos poucos, a encerrar, em si mesmo, a magia da vida.
Descobre na lágrima o poder curativo
que permite expressar o que o coração não suporta
e serenar porque se assumiu uma dor.
Vive a intensidade dos minutos que contêm um ciclo que se repete,
como a própria vida,
e que não se manifesta mais complexa do que a soma dos muitos minutos sentidamente vividos.
Entende a saudade como um louvar a idade!
O reconhecer que acolhe em si momentos imensuráveis de sabedoria
construídos na ousadia de experiênciar viver no encantamento…

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Poisos


Às vezes engano-me e troco os sentires.
E hoje não sei onde poisar.
Será constante a elevação de deus?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Conversas de travesseiro I

Pergunto-me porque varia a intensidade com que diferentes pessoas vivem o mesmo momento.
Queria perceber o valor do sentir pelo sentir, indiferente ao sentir dos outros.
E queria abstrair-me de validar o meu sentir pela não correspondência externa…
O que condiciona a nossa percepção do mundo?
Num olhar o pôr-do-sol há quem mude a sua vida,
há quem encontre o seu caminho,
há quem veja todas as suas dúvidas esclarecidas,
há quem fique bronzeado,
há quem fique indiferente,
há quem se apaixone pela vida,
há quem…………
E o sol é o sol, e será sempre o sol!
A percepção do sol é individual. Aí se encerra a diferença.
Mas tu podes sempre escolher como queres ser tocada pelo sol.
E o sol será sempre inocente!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

a caixa de deus


Descobri ontem, no tropeçar das areias da praia, que deus tem uma caixa!
Quase morri de curiosidade…
Transporta-a com uma delicadeza que me arrepia e torna aguado o meu olhar.
Como se a nossa respiração fosse um perigo a acautelar.
Observo-o com atenção, tentando adivinhar o que habita naquela caixa…
E no meu imaginário sucedem-se imagens inaudíveis.
Cheira a mistério… Tem segredos…
Que segredos poderá deus guardar numa caixa… tão pequena… que transporta debaixo do braço como se do seu corpo fizesse parte?
Que magia encerra a liberdade de transportar o essencial numa caixa?
Que palavra descreverá a essência que serve a deus e lhe permite existir apenas com o que transporta na sua caixa?
Num segundo passa por mim um pensamento que ainda hoje me faz andar em bicos de pés:
Haverá algo de mim nessa caixa?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

o sentir de deus

Há dias assim!
Nascemos, apenas.
Como se, sem aviso prévio, habitar o corpo fosse a maior bênção do universo.
Apenas porque se descobre que só habitando o corpo é possível sentir…
E tudo adquire, suavemente, um sabor diferente.
Talvez a diferença esteja no corpo que sente. Tudo o resto permanece.
Recordo esse som… na ausência de definição, é divino.
E por momentos pensei ter tocado, ao de leve, o ser que habita o teu corpo.
E por momentos fui tocada, ao de leve, pelo ser que habita o teu corpo.
Como será o toque sentido por deus?