sexta-feira, 27 de junho de 2008

Saudade de deus-criança


deus-criança é brincalhão…
Sorri porque as borboletas se atropelam;
Brinca com as formigas vagarosamente;
Cria histórias de vida quando a vida não lhe dá histórias;
Vive do ar que respira e do sol que ilumina;
E regressa ao aconchego da cama, ao ritmo da natureza, quando o sol se vai deitar.
Sinto saudades de deus-criança!
Simples no sentir e meigo no abraço.
Existe porque sim, sem pontos de interrogação,
não questiona o sentido das coisas, apenas as coisas sem sentido.
Passa horas a olhar os pés,
como tentativa de entender o mistério que os envolve.
Tudo tem fascínio próprio!
E a descoberta das bolhas nos dedos das mãos
representa a capacidade de transformação do próprio corpo.
Sabe que o toque deixará de ser uma descoberta intranquila
e passará, aos poucos, a encerrar, em si mesmo, a magia da vida.
Descobre na lágrima o poder curativo
que permite expressar o que o coração não suporta
e serenar porque se assumiu uma dor.
Vive a intensidade dos minutos que contêm um ciclo que se repete,
como a própria vida,
e que não se manifesta mais complexa do que a soma dos muitos minutos sentidamente vividos.
Entende a saudade como um louvar a idade!
O reconhecer que acolhe em si momentos imensuráveis de sabedoria
construídos na ousadia de experiênciar viver no encantamento…

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Poisos


Às vezes engano-me e troco os sentires.
E hoje não sei onde poisar.
Será constante a elevação de deus?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Conversas de travesseiro I

Pergunto-me porque varia a intensidade com que diferentes pessoas vivem o mesmo momento.
Queria perceber o valor do sentir pelo sentir, indiferente ao sentir dos outros.
E queria abstrair-me de validar o meu sentir pela não correspondência externa…
O que condiciona a nossa percepção do mundo?
Num olhar o pôr-do-sol há quem mude a sua vida,
há quem encontre o seu caminho,
há quem veja todas as suas dúvidas esclarecidas,
há quem fique bronzeado,
há quem fique indiferente,
há quem se apaixone pela vida,
há quem…………
E o sol é o sol, e será sempre o sol!
A percepção do sol é individual. Aí se encerra a diferença.
Mas tu podes sempre escolher como queres ser tocada pelo sol.
E o sol será sempre inocente!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

a caixa de deus


Descobri ontem, no tropeçar das areias da praia, que deus tem uma caixa!
Quase morri de curiosidade…
Transporta-a com uma delicadeza que me arrepia e torna aguado o meu olhar.
Como se a nossa respiração fosse um perigo a acautelar.
Observo-o com atenção, tentando adivinhar o que habita naquela caixa…
E no meu imaginário sucedem-se imagens inaudíveis.
Cheira a mistério… Tem segredos…
Que segredos poderá deus guardar numa caixa… tão pequena… que transporta debaixo do braço como se do seu corpo fizesse parte?
Que magia encerra a liberdade de transportar o essencial numa caixa?
Que palavra descreverá a essência que serve a deus e lhe permite existir apenas com o que transporta na sua caixa?
Num segundo passa por mim um pensamento que ainda hoje me faz andar em bicos de pés:
Haverá algo de mim nessa caixa?