domingo, 31 de agosto de 2008

A vassoura de piaçá de deus

Enigma por Violeta

Quando, da minha varanda, aprecio a vida que acontece na rua tenho a sensação de ver, entre os apressados seres humanos que se cruzam sem se verem, um velhinho, com ar cansado, de vassoura de piaçá na mão.
Varre um pouco,
pára,
olha à sua volta,
espirra,
sorri,
varre um pouco,
acena com a cabeça que sim,
ajoelha-se,
varre um pouco,
troca olhares,
salva uma borboleta,
varre um pouco,
seca uma lágrima,
varre um pouco,
coloca um penso rápido,
limpa o banco,
varre um pouco,
olha à sua volta,
sorri
e varre um pouco,
rega as flores,
limpa o jardim
e varre mais um pouco…
Cada movimento encerra em si a o desconforto dos sentires, entre a ternura de quem aceita e respeita, incondicionalmente, a vida como ela se apresenta, e a tristeza de quem se sabe invisível.
Vê o planeta como uma grande sala de estar. Tão grande, que nem a sentimos como nossa.
E ele é, assumidamente, um grande anfitrião. Imperceptível, mas anfitrião.
Limpa, do espaço, todo o lixo que vamos deixando: papéis, pontas de cigarro, pensamentos, raivas, discussões, gritos, buzinas...
E com um sopro, que transporta a luz da transformação, vai reciclando tudo o que incomoda a estética da grande sala de estar.
Não tem tempo para interregnos...respira para se sentir, já que a indiferença o faz duvidar da própria existência.
Imagino que quando o ar se torna irrespirável lá fora, e passear na rua é, inexplicavelmente, angustiante, ele esteja ausente…
Existe um velhinho na nossa sala de estar...
Presente sem se fazer notar.
Cuidador sem interferir.
Acolhedor sem se manifestar.
Paciente sem condenar.
Numa presença tão preenchida quanto vazia. Recheada de divindade...
E a sua grande riqueza é uma vassoura de piaçá e um enorme coração!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

dezanove|seis


cem palavras...para descrever o indescritível!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

E deus sorriu


Hoje fui despertada assim…
E o espanto com que me apercebo da singularidade de cada despertar do dia, faz-me desejar permanecer imóvel, contemplando as manifestações de deus, ao segundo.
Pergunto-me a que velocidade corre o tempo sentido por deus...
E porque sinto estar sempre atrás...
Que utilidade tem o meo se não integra o tempo sentido por deus, para que eu possa, numa pausa, não desperdiçar os diálogos íntimos com a natureza?
Conecto-me com essa força que me invade e me faz ansiar ser una com a natureza.
Sussurro um pedido infantil, na esperança de um colo divino que me embale ao som de histórias dos homens, que só deus conhece.
AH! Como é divino o sentido de humor de deus!
E demoro-me ali, profundamente grata por ter pertencido, por segundos, ao amanhecer.
E deus sorriu…