Enigma por VioletaQuando, da minha varanda, aprecio a vida que acontece na rua tenho a sensação de ver, entre os apressados seres humanos que se cruzam sem se verem, um velhinho, com ar cansado, de vassoura de piaçá na mão.
Varre um pouco,
pára,
olha à sua volta,
espirra,
sorri,
varre um pouco,
acena com a cabeça que sim,
ajoelha-se,
varre um pouco,
troca olhares,
salva uma borboleta,
varre um pouco,
seca uma lágrima,
varre um pouco,
coloca um penso rápido,
limpa o banco,
varre um pouco,
olha à sua volta,
sorri
e varre um pouco,
rega as flores,
limpa o jardim
e varre mais um pouco…
Cada movimento encerra em si a o desconforto dos sentires, entre a ternura de quem aceita e respeita, incondicionalmente, a vida como ela se apresenta, e a tristeza de quem se sabe invisível.
Vê o planeta como uma grande sala de estar. Tão grande, que nem a sentimos como nossa.
E ele é, assumidamente, um grande anfitrião. Imperceptível, mas anfitrião.
Limpa, do espaço, todo o lixo que vamos deixando: papéis, pontas de cigarro, pensamentos, raivas, discussões, gritos, buzinas...
E com um sopro, que transporta a luz da transformação, vai reciclando tudo o que incomoda a estética da grande sala de estar.
Não tem tempo para interregnos...respira para se sentir, já que a indiferença o faz duvidar da própria existência.
Imagino que quando o ar se torna irrespirável lá fora, e passear na rua é, inexplicavelmente, angustiante, ele esteja ausente…
Existe um velhinho na nossa sala de estar...
Presente sem se fazer notar.
Cuidador sem interferir.
Acolhedor sem se manifestar.
Paciente sem condenar.
Numa presença tão preenchida quanto vazia. Recheada de divindade...
E a sua grande riqueza é uma vassoura de piaçá e um enorme coração!
Varre um pouco,
pára,
olha à sua volta,
espirra,
sorri,
varre um pouco,
acena com a cabeça que sim,
ajoelha-se,
varre um pouco,
troca olhares,
salva uma borboleta,
varre um pouco,
seca uma lágrima,
varre um pouco,
coloca um penso rápido,
limpa o banco,
varre um pouco,
olha à sua volta,
sorri
e varre um pouco,
rega as flores,
limpa o jardim
e varre mais um pouco…
Cada movimento encerra em si a o desconforto dos sentires, entre a ternura de quem aceita e respeita, incondicionalmente, a vida como ela se apresenta, e a tristeza de quem se sabe invisível.
Vê o planeta como uma grande sala de estar. Tão grande, que nem a sentimos como nossa.
E ele é, assumidamente, um grande anfitrião. Imperceptível, mas anfitrião.
Limpa, do espaço, todo o lixo que vamos deixando: papéis, pontas de cigarro, pensamentos, raivas, discussões, gritos, buzinas...
E com um sopro, que transporta a luz da transformação, vai reciclando tudo o que incomoda a estética da grande sala de estar.
Não tem tempo para interregnos...respira para se sentir, já que a indiferença o faz duvidar da própria existência.
Imagino que quando o ar se torna irrespirável lá fora, e passear na rua é, inexplicavelmente, angustiante, ele esteja ausente…
Existe um velhinho na nossa sala de estar...
Presente sem se fazer notar.
Cuidador sem interferir.
Acolhedor sem se manifestar.
Paciente sem condenar.
Numa presença tão preenchida quanto vazia. Recheada de divindade...
E a sua grande riqueza é uma vassoura de piaçá e um enorme coração!
